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quarta-feira, 16 de março de 2011

Um e-mail de meu pai

Introdução

Há coisas que são óbvias, mas sempre precisamos ser lembrados do óbvio. Afinal, é óbvio que não somos perfeitos, e podemos cometer com frequência o erro de esquecermos o que realmente importa.

Foi o que aconteceu comigo. Mais uma vez fui pego com meu próprio modo de me ver, e meu pai já logo tomou a iniciativa de me fazer lembrar o que realmente é para eu enxergar.

O texto abaixo é um e-mail que ele me mandou. Os nomes e a gramática foram mudados - afinal, o texto era informal e as pessoas não precisam ser expostas - mas a mensagem eu mantive intacta. Leiam e reflitam, ainda mais se você for um eterno novato como eu! ;) (Está em tom de auto-ajuda, mas serve, de qualquer forma.)
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Caro sr. Charlie

Em todo serviço, quando a gente começa, sempre surge uma insegurança.Você não deve se achar incompetente. Só pelo motivo de você ter dado uma resposta ao cliente já mostra sua capacidade. A lista de material está dentro do que é preciso para executar o serviço.

Entenda que todo serviço novo é um desafio.O que é preciso é tão somente não mostrar insegurança para o cliente. Ninguém nasceu experiente em nada na vida, e o tempo nos ensina que tudo é questão de prática. Quanto maior que pareça ser o desafio, melhor será para se adquirir experiência.

Não se frustre, você está no caminho certo. A primeira fase você já completou. Agora segue a segunda.

É , este e-mail esta indo um pouco tarde. Se você já foi até o sr. X, não sei como foi, mas acredito que você se saiu bem.

Procure ver o lado bom. O sr. X, além de ser cliente, ele se tornou um amigo e confia no seu  trabalho, ele sabe que você é novo no ramo. Procure analisar com calma o projeto. Não se estresse. Você tem tempo para executar com calma.

O sr. X não é de ficar no pé. Eu sei que você consegue, não é um bicho de sete cabeças. No começo de todo serviço novo eu tremia , mas sempre achava uma solução, mesmo não sendo a ideal. Com o tempo a gente vai se aprimorando em tudo. Todo dia é um aprendizado.

Não seja duro consigo, não desista logo no inicio. Tenha confiança. Vc tem muito potencial. Saiba que a nossa mente pode ser o nosso maior inimigo. Não cultive pessimismo. Cultive otimismo.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

"Médico precisa gostar de gente" - observações dum médico

Mais um texto de outra pessoa que resolvi recompilar aqui. Encontrei na revista Serafina de janeiro de 2011. Essa revista acompanha a Folha de São Paulo, jornal que meu tio sempre lê.

O autor do texto é "David Uip, diretor do Instituto de Infectologia Emilio Ribas e professor livre docente da Universidade de São Paulo, em depoimento a Silvia Crespi." (Estava escrito no final do texto). Neste texto ele fala da relação médico-paciente, tendo como base a série "House".

Com vocês, David Uip

"Médico precisa gostar de gente!"

Assim como eu, o dr. House da série americana é infectologista e chefe de departamento de um hospital. E, assim como ele, faz parte da minha rotina chegar aos diagnósticos mais difíceis. Em moléstias infecciosas, o médico tem um índice de sucesso muito grande. Mas as semelhanças param por aí.

Só na ficção um médico pode ser tão arrogante, distante dos pacientes e descompromissado com sua equipe. Eu já vi de tudo, só não vi um indivíduo estúpido e grosseiro ser tão bem sucedido. Na minha experiência esse tipo de pessoa sempre acaba se dando mal.

Também sou contra alguns métodos que ele usa para chegar aos diagnósticos, quebrando protocolos do hospital. Dessa forma você perde a noção de certo e errado, e quando o errado entra em sua rotina e você se convence dele...o perigo aumenta.

Todo médico é muito vaidoso e, assim como o House, todos se sentem um pouco 'Deus'. O motivo é que realmente ajudamos as pessoas. Mas, na vida real, essa vaidade só existe até que se tome a primeira paulada. Para os infectologistas, a maior paulada aconteceu na década de 80 com o advento da AIDS. Naquele tempo não havia praticamente nada que pudéssemos fazer. A AIDS mostrou aos médicos que a ciência tem limites.

Um outro exemplo que serviu para me colocar em meu lugar foi a doença do ex-governador Mário Covas. Ele teve a sua disposição os melhores recursos, materiais e humanos, do mundo (médicos de diversos países participaram do tratamento), e, mesmo assim, morreu.

Na série, também é muito distante da realidade a quantidade de exames complementares diagnósticos (de laboratório, de imagem) a que o dr. House submete seus pacientes, sem limite de verbas e praticamente sem contato humano. É claro que ninguém  pode abrir mão desses exames. Mas tudo começa com a relação médico-paciente. Eu resolvo 90% dos casos com a história contada pelo doente e pelo exame físico. Para isso uma coisa fundamental que parece que o amigo House não vai conseguir nunca: médico precisa gostar de gente!