O governo, esperto que é, vende o peixe dos baixos índices de reprovação, cria cotas nas Universidades, filma jovens interessados e arrumados em escolas novas ou reformadas, impecáveis, com laboratórios, computadores e bibliotecas. O povo, os pais dos alunos, espertos que são, criticam o governo com alguns firmes comentários durante o jantar, mas quando começa a novela e o futebol tudo volta a ficar bem, os cidadãos podem descansar, pagar seus impostos e dormir felizes por mais um dia.
Os burros, os infelizes, são os professores. Talvez algum ideal ou vocação, sabe lá o que motiva uma pessoa a dar aula em escola pública, desperdiçar tempo e esforços para ser mal pago e desrespeitado. A maioria desiste, aprende a manha, se adapta ao sistema. Mas alguns gostam de apanhar e insistem em tentar fazer - que burrice! - os alunos se preocuparem com o próprio aprendizado.
E, assim, a tão falada esperteza brasileira popularizou e institucionalizou a hipocrisia, da instituição familiar à escolar.




