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sábado, 22 de outubro de 2016

Gentil não rima com frágil

Ser gentil é sinal de fraqueza? Ser bacana é algo arriscado demais, que pode pôr em risco o respeito que as pessoas tem por você? Todos os dias essas questões se repetem na minha cara, como que fustigando sutilmente a minha pele.

Sinto pessoas rindo de mim pelas costas, achando que sou ridículo por ser espontâneo, se achando os reis da piada por acharem que sou digno de ser "aloprado". "Nossa, mano! Alopro direto aquele cara!", dizem.

Ok, ok: o meu jeito de ser não passa desapercebido. Dançar por onde se anda e cantarolar enquanto trabalha não é algo comum de se ver um inspetor de alunos fazer, mas isso não faz de mim um profissional pior. Até onde eu sei eu lido com jovens, e quanto mais sisudo eu for, mais resistentes eles serão.

Pra quê reprimir minha personalidade, forçar a barra? Ficar com cara de bravo o tempo inteiro farão as pessoas me respeitar sempre? Não! Acredito que é um bom caminho não duvidar da capacidade do aluno de raciocinar e de ser persuadido a falar com seus professores duma forma que evite maus entendidos. Há momentos que uma intermediação amigável já é mais que o suficiente. Não é preciso ficar gritando o tempo todo! Se for preciso ser mais firme na hora de advertir, aborde de forma mais séria, independentemente se você for espontâneo ou não. E outra: quando a barra pesa, não sou eu que tenho que resolver...

Apesar de parecer, inspetor de alunos NÃO É segurança de boate. Qualquer um que oriente alguém - mesmo que a orientação seja um "vá pra sala" - pode ser classificado como educador. (Não estou me referindo à educação moral que cabe aos pais, mas sim como um educador no sentido de trabalhar com Educação.) Não sou professor de sala, mas é preciso que o amor me oriente na forma como educo. Respeito é uma forma de amor. Em outras palavras, tem que saber chegar.

No que diz respeito a ser gentil, a gentileza não gera gente folgada. O que gera gente folgada é a sua incapacidade de dizer "não". Sou gentil sim, mas quando não dá, falo que não dá pra fazer e sigo meu trabalho. Até lembro a pessoa que, quando dá, eu ajudo sem problemas, mas há momentos que você precisa abrir o jogo e mostrar que não dá pra atender às demandas individuais de todos os jovens duma escola com mais de 500 alunos!

Mudar meu jeito eu quero, mas tem que ser pra melhor. Eu não vou melhorar se eu suprimir a minha personalidade. Não haverá motivo de ficar cantarolando dentro do cinema, mas num corredor barulhento de escola é inapropriado? Não. Não é.

Ser feliz não é um crime. Ser gentil não é fraqueza. Ser bondoso não te faz idiota. O problema não está na felicidade, na gentileza, e muito menos na bondade. O problema é o mundo que está doente e que adoece o conceito das pessoas do que é a vida.

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